Mateus Barros em ambiente técnico com a paisagem de Pirapora ao fundo

Sobre • História profissional

Eu não cheguei ao SENAI por acaso. Voltei ao lugar onde descobri o meu caminho.

Uma trajetória entre Pirapora, indústria, pesquisa, sala de aula e construção de soluções.

Começar pela origem

Minha origem

Em 2006, uma grande fila e a insistência do meu pai mudaram a direção da minha vida.

Havia uma fila enorme para a inscrição no curso de Eletricista de Manutenção. Eu fui por insistência do meu pai, ainda sem saber que aquele gesto abriria a primeira porta de toda a minha trajetória profissional.

Desde a primeira aula, eu me encontrei. Teoria e prática deixavam de ser mundos separados. Cada circuito tinha uma razão, cada ferramenta exigia cuidado e cada problema podia ser compreendido por partes.

“A técnica me mostrou como as coisas funcionam. A educação me ensinou por que esse conhecimento precisa circular.”
Mateus em laboratório de eletroeletrônica
Da primeira bancada à educação profissional: técnica, método e responsabilidade.

Formação e indústria

Antes de ensinar no SENAI, precisei construir meu próprio modo de aprender.

Vieram a formação técnica em Eletrotécnica, a Engenharia de Controle e Automação, especializações, indústria, projetos e implantação. A travessia profissional por Contagem ampliou minha visão sobre equipamentos, prazos, segurança, produção, custos e confiança.

O percurso acadêmico também exigiu recomeços. Uma experiência de mestrado interrompida na UFMG não encerrou a pesquisa. Em 2022, concluí o Mestrado em Modelagem Computacional e Sistemas na UNIMONTES.

Da primeira bancada à educação profissional

Uma formação construída por camadas.

Os marcos não contam tudo, mas revelam como técnica, pesquisa, indústria e docência foram se encontrando.

  1. 2006

    Eletricista de Manutenção

    A insistência do meu pai me levou ao primeiro curso técnico e ao lugar em que descobri meu caminho.

  2. 2008

    Técnico em Eletrotécnica

    A base elétrica ganhou método, responsabilidade e relação direta com o trabalho.

  3. 2014

    Engenharia de Controle e Automação

    Automação, sistemas e projetos ampliaram a forma de enxergar processos industriais.

  4. 2014—19

    Indústria e implantação

    Manutenção, materiais técnicos, projetos, prazos e pessoas ensinaram que nenhuma decisão técnica acontece isoladamente.

  5. 2022

    Mestrado concluído

    A pesquisa em Modelagem Computacional e Sistemas consolidou o hábito de investigar, testar e revisar.

  6. 2025

    Retorno ao SENAI

    Em 6 de agosto, o antigo estudante passou a integrar a instituição como instrutor.

Mateus conduzindo uma apresentação técnica

Indústria, pesquisa e docência

O crescimento profissional também teve estrada, distância e escolha.

Trabalhar com engenharia e implantação ensinou que decisões técnicas afetam pessoas. Retomar a pesquisa ensinou a testar hipóteses e revisar caminhos. A docência reuniu essas experiências em uma responsabilidade nova: ajudar alguém a construir autonomia.

6 de agosto de 2025

O sonho ganhou um crachá — e uma responsabilidade maior.

Voltar ao SENAI como instrutor não representa uma complementação de renda. É o lugar onde me reconheço profissionalmente e onde quero estar todos os dias.

Voltei à instituição que abriu minha primeira porta técnica para ajudar estudantes a construir as próprias trajetórias. A sala de aula também me amadureceu: turmas, conflitos, dúvidas, e-mails e pedidos de apoio mostraram que o instrutor é um profissional técnico-pedagógico responsável por transformar o perfil profissional em experiências reais de aprendizagem.

Mateus orientando estudantes em uma prática de eletroeletrônica
Aprender fazendo: observar, testar, justificar e reconstruir.

Prática docente

Ensinar conteúdos técnicos é difícil. Ensinar pessoas é muito mais complexo.

Aprendi a combinar rigor com acolhimento: manter critérios, segurança e responsabilidade sem perder o diálogo; ouvir antes de concluir; comunicar regras com transparência; e replanejar quando as evidências mostram que a estratégia precisa mudar.

  • O estudante investiga, decide, constrói, testa e argumenta.
  • O instrutor planeja desafios e intervém com intencionalidade.
  • A avaliação orienta feedback, recuperação e replanejamento.

Aprendizagens que ficam

Algumas das experiências mais importantes da minha carreira não cabem em uma fotografia de conquista.

01

Rigor e acolhimento

Critério não precisa excluir diálogo; acolhimento não significa abandonar responsabilidade.

02

Comunicação clara

Regras e expectativas compreendidas reduzem ruído e aumentam confiança.

03

Escuta antes da conclusão

Situações sensíveis podem se transformar em aprendizado profissional sem expor pessoas.

04

Registro e melhoria

Evidências ajudam a aprender com o que aconteceu e a construir uma resposta melhor.

Mateus orientando uma atividade prática
A metodologia ganhou sentido quando passou a orientar decisões concretas.

Metodologia SENAI de Educação Profissional

A MSEP ganhou sentido quando passou a orientar decisões concretas.

Em diálogo com Paulo Freire, compreendo o ensino como uma relação ativa e responsável. O foco se desloca do conteúdo “dado” para o que foi aprendido, demonstrado e reconstruído.

  1. 01Perfil profissional e capacidades
  2. 02Situação de Aprendizagem
  3. 03Mediação e protagonismo
  4. 04Critérios e evidências
  5. 05Feedback e replanejamento

Autoria • CSOC

Eu comecei a construir tecnologia quando percebi que alguns problemas da sala de aula não seriam resolvidos com mais uma planilha.

A CSOC preserva sua origem histórica em Creative Science of Calculus e hoje reúne projetos pessoais e autorais.

01

Arena SAEP

Participação e avaliação formativa.

02

Avalia SENAI

Evidências e replanejamento.

03

SAP SENAI

Ativos, manutenção e decisão.

04

SolarLab

Simulação e energias renováveis.

São iniciativas pessoais aplicadas no contexto educacional; não constituem produtos oficiais do SENAI nem das demais instituições citadas.

Mateus em uma reunião técnica colaborativa

Liderança técnica colaborativa

Meu crescimento profissional não termina na sala de aula. Ele parte dela.

Preparo-me para assumir responsabilidades maiores sem me afastar da educação. Liderar, para mim, é criar condições para que pessoas, projetos e decisões encontrem direção, registro e espaço de desenvolvimento.

“Quero ampliar minha capacidade de cuidar da educação, não me afastar dela.”

A mesma instituição que me ajudou a descobrir uma profissão hoje é o lugar onde tento criar novas possibilidades para outros estudantes.